Enquanto a prefeitura arma palco, som e luz para animar a plateia, na sala de aula o espetáculo é outro: abandono, contradição e um silêncio cúmplice diante do direito violado das crianças. O desabafo de uma mãe, publicado nas redes sociais, escancara o retrato de uma administração que parece ter perdido o rumo, e a vergonha, ao priorizar festa e marketing em vez de garantir o básico na educação infantil.
Segundo a denúncia, a turma do infantil cinco da escola Carlos Gomes continua sem professor de Educação Física. Resultado: duas aulas inteiras diante da TV, quando os alunos deveriam estar praticando atividades físicas, desenvolvendo coordenação motora, convivência, disciplina e hábitos saudáveis. A cena é tão absurda quanto emblemática: crianças pequenas, imóveis, encarando uma tela, enquanto o poder público se orgulha do “show” oferecido à população. Onde está a prioridade dessa gestão?
O drama ganha contornos ainda mais cruéis quando a mãe relata que sua filha chegou em casa chorando, ao descobrir que a turma do infantil quatro tem aula normal de Educação Física, enquanto a turma dela fica esquecida diante da televisão. A mensagem é devastadora para qualquer criança: alguns têm direito, outros não. A administração cria, assim, uma hierarquia de importância dentro da mesma escola, alimentando sensação de injustiça e exclusão já na primeira infância. Não é apenas falta de professor; é falta de respeito, de planejamento e de compromisso com a igualdade.
A ironia salta aos olhos: trata-se da mesma escola que promove palestras para orientar os pais a controlarem o uso das telas pelas crianças. De dia, o discurso técnico, os slides, os alertas sobre danos do excesso de TV e celular. Na prática, a mesma instituição se vê obrigada a empurrar alunos para frente da TV, porque a prefeitura não garante o profissional que deveria estar ali conduzindo atividades físicas. A contradição não é apenas pedagógica; é moral. Como cobrar dos pais aquilo que o poder público não consegue cumprir dentro da própria unidade de ensino?
Educação Física não é “recreio chique”, como muitos gestores ainda parecem acreditar. É componente curricular, parte obrigatória da formação integral, prevista em lei. Quando a prefeitura trata essa disciplina como algo descartável, abre caminho para a precarização geral das demais áreas. Se hoje falta professor de Educação Física, amanhã falta de Matemática, depois de Português, e assim a rede vai sendo desmontada, um pedacinho por vez, sem alarde, enquanto a população é distraída com shows, eventos e fogos de artifício.
600 mil reais
É preciso perguntar: quanto custou o show bancado pela administração? Quantas horas de professor esse dinheiro poderia pagar? Quantos contratos temporários, quantos concursos, quantas soluções emergenciais poderiam ter sido pensadas antes de optar pela “alegria” de algumas horas de palco? Quando há recurso para festa, mas não há para garantir o professor em sala, não falamos apenas de má gestão; falamos de inversão deliberada de prioridades.
A situação descrita por essa mãe não é um caso isolado; é sintoma de uma doença crônica: a politização da máquina pública em favor da autopromoção do governante. Palco lotado rende foto, vídeo, curtidas e palminhas nas redes. Sala de aula organizada, professor valorizado e criança assistida não aparecem em banner nem em carro de som. Mas é exatamente aí, longe dos holofotes, que se mede a grandeza, ou a pequenez, de uma administração.
Quando uma criança volta para casa dizendo “a turma do infantil quatro tem aula e eu não”, isso deveria ecoar como uma sirene na consciência de qualquer gestor público. É o grito de quem ainda não sabe falar em “direito constitucional”, “responsabilidade fiscal” ou “dever do Estado”, mas sente na pele que está sendo deixada para trás. Ignorar essa voz é escolher o caminho da omissão, é assinar embaixo do diagnóstico que a própria população já faz nas conversas de bairro: essa administração vai de mal a pior.
Cabe aos pais, ao conselho escolar, ao Ministério Público, aos vereadores verdadeiramente comprometidos com a educação, transformar esse desabafo em ação. Cobrar explicações, exigir prazo para contratação de professor, acompanhar o cumprimento das promessas e não aceitar respostas vazias do tipo “estamos vendo”, “logo será resolvido”. Cada semana que passa sem professor é uma semana roubada do desenvolvimento dessas crianças, uma perda que não se recupera com mais um show na praça.
O poder público precisa ser lembrado de algo simples: gestão não se mede pelo tamanho do palco, mas pela qualidade da sala de aula. Enquanto a prefeitura insistir em trocar professor por programação de TV, festa por política séria e marketing por responsabilidade, continuará empurrando o município ladeira abaixo. E o povo, que hoje bate palma no show, amanhã colherá o resultado amargo dessa escolha: uma geração que aprendeu, desde cedo, que o seu direito pode ser cortado da programação a qualquer momento.
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O descaso também se estende aos CMEIs da rede. O caso ocorrido na semana passada evidencia o perigo que as crianças correm no seu período de descanso, hora do sono, ao meio-dia. A criança que foi socorrida pelas professoras do CMEI e salva pelas mãos dos profissionais do SAMU, só foi possível pela Graça de Deus e um pouco de ajuda do acaso, pois a professora da manhã fica responsável pela turma somente até às 11:30, que no seu momento de saída da sala, por acaso notou a criança com comportamento diferente e percebeu seu estado febril. Pois bem, a grande questão é que a sala fica sob a guarda dos estagiários (em sua maioria menores) e a responsabilidade "legal" por todas as salas é da coordenadora, que de maneira onipresente está em todas as salas. O grande ponto é o seguinte, até quando a administração vai esperar pra que aconteça uma trajédia, como a quase fatalidade da última semana, figindo costume e que tem profissionais qualificados e atentos ao momento de repouso do meu filho, do seu filho? Os professores foram tirados da sala de aula nesse horário e organizados dentro da semana, tornando seus horários de hora atividade improdutivos, pois precisam se desdobrar, dentro de duas horas por dia, sendo uma hora antes de entrar em sala e uma hora depois, pra preencher relatórios, fazer a chamada, planejar pra dois, três dias, até uma semana pra frente, confeccionar materiais, entregar demandas de projetos, atender pais e pessoal da equipe de ensino. A volta desses profissionais para a sala de aula nesses horários, além de trazer segurança às crianças e aos pais, que aposto que não sabem desse embrolho todo que acontece, traria de volta uma hora atividade contínua e uma consequente maior produtividade desses profissionais.
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