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FUNCIONÁRIOS INDIGNADOS "SOMOS ESCRAVAS"

 



“Servidores tratados como escravos”: esposa do prefeito manda funcionários limpar prédio em pleno recesso


Ordem partiu da secretária de Educação, que é casada com o chefe do Executivo. Mensagens revelam clima de medo, assédio moral e confusão entre poder público e interesses familiares.


Em pleno dia de recesso, quando o expediente deveria estar suspenso, servidores de uma prefeitura foram surpreendidos com uma ordem inusitada: comparecer cedo ao prédio público para fazer a limpeza geral do local, por dentro e por fora.  

A determinação partiu da secretária municipal de Educação, que também é esposa do prefeito, e que, segundo relatos, age como verdadeira “prefeita” ao impor sua vontade sobre funcionários sob ameaça de desconto salarial.  


A ordem da “prefeita” de fato


De acordo com mensagens obtidas pela nossa reportagem, a secretária cancelou o recesso e determinou que todos os servidores estivessem presentes no início da manhã para realizar serviços de limpeza.  

Questionada sobre o fato de existir empresa contratada justamente para esse tipo de trabalho, ela teria sido categórica: “aqui quem manda sou eu; ou vocês limpam, ou desconto do salário de vocês”.  


Nos prints de conversas, um servidor desabafa: “Absurdos isso, somos escravos dela. Hoje teremos que limpar tudo por fora, por dentro. E somos funcionários dela, então teremos que cumprir as ordens para não perder o emprego”.  

Entre os funcionários, o apelido de “prefeita” para a secretária não é por acaso: na prática, ela usa o posto e a relação conjugal com o prefeito para mandar e desmandar na máquina administrativa.  


Assédio moral, desvio de função e nepotismo de fato


O episódio combina três elementos explosivos:  

- Assédio moral, ao impor tarefa humilhante sob ameaça explícita de punição.  

- Desvio de função, ao obrigar servidores de outras áreas a fazer limpeza mesmo existindo empresa contratada para isso.  

- Nepotismo de fato, ao transformar o cargo de secretária – ocupado pela esposa do prefeito – em instrumento de mando pessoal sobre trabalhadores e estruturas da prefeitura.  


Ao tratar servidores como “funcionários dela”, a mensagem revela a captura privada de um órgão público por uma família no poder, borrando completamente a fronteira entre instituição e interesses pessoais.  


Cultura familiar do poder


A figura da “primeira‑dama que manda mais que o prefeito” é velha conhecida na política brasileira, mas aqui ganha uma nova roupagem institucionalizada: a esposa é nomeada secretária e passa a exercer poder formal e informal, muitas vezes sem prestar contas à população.  

Quando essa autoridade se expressa em ordens humilhantes e arbitrárias, como obrigar servidores a lavar corredores e calçadas em pleno recesso, o recado é claro: quem manda é a família, não a lei.  


Essa cultura familiar de poder corrói princípios básicos da administração pública – impessoalidade, moralidade, legalidade – e transforma o servidor em alvo de humilhação, medo e silêncio.  


Vozes que resistem


Apesar do clima de intimidação, os servidores que denunciaram o caso mostram disposição para resistir, ainda que sob anonimato.  

Eles não criticam apenas a ordem pontual, mas um padrão de autoritarismo cotidiano, no qual qualquer discordância é respondida com ameaça de corte de salário ou perda do emprego, como se o município fosse um feudo particular do casal no comando.  




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